morro e não posso velar o meu corpo ----------

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"No país da melancolia, o pensamento está sempre voltado para a morte. 

Não teme a morte, já que a sombra da morte se assemelha à sombra vasta das árvores, ao silêncio que já está presente na alma, perdido em seu verde sono."

Morro e não posso velar o meu corpo

por Julia Pupim

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Resultado da convocatória para artistas mulheres realizada pelo selo em 2021, o livro "Morro e não posso velar o meu corpo" de Julia Pupim é um retrato de como o luto se apresenta nas facetas mais íntimas do ser. Fotografado ao longo de seis meses, a autora documentou a morte que está por vir, os últimos dias que esteve na presença de sua mãe - como o processo lento das marcas que a ausência deixa floresce. 

Trabalhado durante meses junto dos editores do selo, o livro se torna uma caixinha de lembranças. Memorabilia de pegadas. Uma pasta fechada por um laço que revela o imaginário e o cotidiano da relação de uma mãe e uma filha. O que encontramos dentro é a perda dos contornos, a lembrança vertiginosa, a tentiva que uma mulher tem de se enterrar na terra para chegar perto de outra.

Tantas imagens que remetem a textura do lençol desarrumado que permanece na cama, o silêncio de uma casa que antes emitia ruídos, assistir alguém que amamos desaparecendo aos poucos. "Naquele dia você olhou no fundo dos meus olhos quando eu achava que isso nunca mais ia acontecer. E eu vi que você sabia e que você me esperou," escreve Julia em uma das entradas de seu diário, que é escrito à mão e acompanha o livro.

 

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"A raíz que cresce lhe dá a mão, debaixo da terra somos todos fortes. Memória embalada no cheiro, aroma dormente da flor de dama da noite. Desarrumei a colcha para fingir que te vi. 

 

E vi. Está aqui, e ali dentro, a prova de que você existiu. Assisti esse relato ser edificado. Não te oculto da luz, escrevo seu nome em todas as paredes. 

Se cavoquei suas terras, foi porque ouvi seu canto. Contei seis botões caídos na praça, árvore tombada, cheguei em casa aos prantos.

 

Trouxemos a morte de volta à vida."

 

- Trecho do posfácio de Alix Breda

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Sobre a autora

Julia Pupim é fotógrafa, formada em Gastronomia e pós-graduanda em Marketing. Teve ensaio fotográfico publicado na revista Laudelinas e seu trabalho "Morro e não posso velar o meu corpo" foi exposto na exposição coletiva "Nada será como antes" no centro Pavão Cultural. Foi contemplada na convocatória para artistas mulheres realizada pelo Selo Turvo em 2021.

17,5x25cm

64 páginas

miolo impresso em offset

brochura 

livreto 12x10cm, 12 páginas escrito à mão

livro-dobradura 29x42cm impresso em offset

 

ISBN 978-65-00-32249-1 

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fotografias Julia Pupim

edição de imagens Alix Breda

design João Pedro Lima

produção editorial Vitor Casemiro

posfácio Alix Breda

textos Julia Pupim, Leonor A. Pupim, Natalia Ginzburg

impressão Cinelândia, Selo Turvo

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